QUO VADIS – HENRYK SIENKIEWICZ

QUO VADIS – HENRYK SIENKIEWICZ

BY DANIEL GOMES

 

TESTEMUNHE ROMA EM TODA A SUA LOUCURA

Talvez você até viu o filme, mas já ouviu falar do livro que o inspirou? Quo Vadis, uma das obras mais conceituadas de Henryk Sienkiewicz, é um tour de force que o levará de volta à Roma de Nero, numa história magnífica onde o amor e a fé triunfam até mesmo sobre a loucura do imperador.
O autor polaco e vencedor do Prémio Nobel, Henryk Sienkiewicz, conta-nos a história de Vinícius, um tribuno romano, e Lígia, uma mulher cristã e serva de patrícios romanos. Ao regressar a Roma, Vinicius conhece Ligia e apaixona-se por ela imediatamente, o que resulta numa grave série de eventos que porão os sentimentos de tribuno à prova. Nesta série de eventos, Vinicius descobre a fé cristã e torna-se um crente, e a sua ligação com Ligia cresce ainda
mais profundamente. No entanto, Nero incendeia Roma e põe as culpas nos cristãos, o que causa uma perseguição caótica e sangrenta aos cristãos. É escusado dizer que as consequências são tão vis como o ato em si: Vinicius é  obrigado a usar todo o seu poder e a sua influência que lhe restam para salvar Ligia e fugirem juntos, e mesmo isto impõe certos sacrifícios.
Quo Vadis é um exemplo notável da habilidade de Sienkiewicz enquanto autor de romances históricos. Ficção e realidade misturam-se de tal forma que por vezes é difícil distinguir personagens reais dos fictícios e vice-versa. A caracterização por parte do autor de personagens como Nero e Caius Petronius é profunda e fiel; eles não são arremessados na obra apenas para preencher espaço. Estes são personagens humanos complexos, que parecem fieis às
figuras históricas, representadas de acordo com a localização histórica da obra.
Outra prova da habilidade do autor como um romancista é a progressão dos personagens. Embora eles nem sempre agem de forma racional (aqui Nero sendo um exemplo óbvio), os personagens não se traem a si mesmos. Os personagens de Quo Vadis sempre se comportam de acordo com a natureza e o estatuto dos mesmos, tornando o desenvolvimento destes personagens ainda mais genuíno. De pequenas adaptações a grandes transformações, a progressão de um personagem nunca é desajustada nesta obra. Um exemplo admirável disto mesmo é a conversão
gradual de Vinícius ao Cristianismo: ele crê e aceita Cristo como seu Senhor e Salvador, mas sendo novo na fé cristã e nos seus ensinamentos, a sua mentalidade continua assente na sua educação romana e na sua experiência como militar. Assim nós vemos em Vinicius uma luta interna voraz, em que a sua impaciência e o seu orgulho naturais costumam levar a melhor, ainda que ele queira abraçar os princípios cristãos de humildade e temperança.

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Apesar da influência do filme, Quo Vadis tem poder para se distinguir como uma obra cativante de ficção histórica – uma das melhores que já abordámos nesta revista. O seu charme e perspicácia vão encantá-lo a partir do momento que pega no livro, e o seu enredo mirabolante não o vai deixar largá-lo até o acabar de ler. Seria negligente da nossa parte dedicar a décima edição a obras históricas e não incluir uma obra tão merecedora, e um autor igualmente tão ilustre. Leia; entregue-se a este romance e deixa-o absorver o seu ser mais íntimo – esta história de amor é mais do que aquilo que aparenta ser.