TÍTULO

O ELOGIO DA IMPERFEIÇÃO

AUTOR

PAOLO SCQUIZZATO

Paolo Scquizzato coloca-nos perante a verdade da nossa Humanidade: a Imperfeição. Esta obra apresenta não só a nossa natureza débil, frágil, limitada e pecadora, mas também nos conduz, nesta reflexão, a assumir a necessidade de reconciliação pessoal, com os outros e com Deus. 

O autor alerta para o facto de: o “nosso drama de cristãos é desejarmos ser performantes, até diante de Deus. Fizemos do Cristianismo a religião do «tender para o perfecionismo moral» – confundindo-o com a santidade -, como se fosse a única condição para obter o amor de Deus e os seus dons. Mas o único dom que Deus poderá conceder-nos não será senão Ele próprio, quer dizer, Amor, perdão e misericórdia.”

O autor insiste que a “nossa salvação chegará, não quando tivermos derrotado as nossas misérias, mas quando começarmos a viver a verdade de nós mesmos, isto é, quando começarmos a aceitar-nos com as nossas fragilidades. Nós somos as nossas imperfeições, as nossas feridas e os nossos pecados. Não somos outra coisa, embora talvez o desejemos, mesmo que nos escondamos atrás das máscaras e recitemos guiões que não nos pertencem. […]

Por isso, no Cristianismo, a questão fundamental não é a tentativa de perseverar sobre o mal para chegar até Deus, mas fazer a experiência do amor de Deus que nos acompanha na nossa história pessoal marcada pelo mal.” […] A “salvação não será alcançar o nunca mais pecar ou, um dia, descobrir que não se tem limites, fragilidades ou não se está ferido; mas será ficar de boca aberta como as crianças – isto chama-se espanto – diante de um Deus que nos ama e nos alcançou na nossa fragilidade. Será aqui que se realizará a passagem da religião para a fé. A religião tende a alcançar Deus com uma vida irrepreensível, a fé é aperceber-se de um Deus que opera e se revela na nossa história ferida.”

Por vezes, procuramos justificar as nossas debilidades com desculpas fáceis, não assumindo aquilo que somos e permanecemos nesse lamento estéril. Neste sentido, Paolo Scquizzato abre-nos uma janela de esperança quando afirma que “Deus, ao contrário, joga com o que somos agora, neste momento. Intervém sempre na nossa situação concreta: onde reinam a desolação, os medos, as dúvidas paralisantes, as divisões no coração e as divisões entre as pessoas. Deus não nos transforma a vida a partir [de] fora, mas está connosco e, assim, faz emergir todas as nossas potencialidades adormecidas, dizendo-nos que valemos pelo que somos.[…]

Deus chega até nós, ama-nos, age em nós de maneira imerecida, por aquilo que somos e não por aquilo que poderíamos ser.

Ele não nos ama se… mas mesmo que … É nisto que está o amor de Deus por nós: em ser e estar a nosso favor.

O amor de Deus é atual; somos amados de maneira louca por Deus, neste momento, por mais débeis, pecadores, frágeis, desgraçados e sujos que possamos ser. Ama-nos assim! Na nossa situação indecente, impossível. […]

O nosso valor vem da confiança que Deus deposita em nós.

Entre Deus e o homem, o primeiro a confiar-se é Deus. No fundo, a fé é isto: crer que Deus está em nós. Quando aqueles que Deus escolheu reconhecem esta realidade esplêndida, Deus faz crescer a força que está neles.”  

editado, 6/1/2017.


POR AGOSTINHO FARIA, USADO COM PERMISSÃO. PUBLICADO EM WWW.IMISSIO.NET, EXCERTOS EXTRAÍDOS DE O ELOGIO DA IMPERFEIÇÃO, DE PAOLO SCQUIZZATO, PUBLICADO POR PAULINAS EDITORA, LISBOA
O PORQUÊ DA CAPA

“Escolhi as obras de Filippo Rossi para capas dos meus livros pela amizade que nos liga e pela sua arte. Toda a obra de Filippo Rossi é um testemunho da revelação através da arte, de uma salvação que, chegada de outro lugar, irrompe no espaço escuro, negro, no inferno que habita cada homem e que o torna um crucificado da história, cor do sangue derramado. Arte como epifania da Graça, Presença grátis que irrompe em cor do ouro. Irrupção através do amor mais forte, que vence, que recupera e nada lança fora; a não ser o pecado, único combustível para que a salvação – que tem o nome de misericórdia – se possa pôr em marcha. Hoje, o homem precisa de chegar a viver espiritualmente, isto é, de abrir-se à possibilidade de ser alcançado, abraçado, amado. Salvo. As obras de Filippo Rossi representam toda esta serena e jubilosa alegria por que o nosso coração anseia e para que é feito.”