NO ANO DO NOSSO SENHOR – SINCLAIR B. FERGUSON

E S C O L H A   D O   E D I T O R

BY PAULO SÉRGIO GOMES

REFLECTIONS ON TWENTY CENTURIES OF CHURCH HISTORY

Sinclair B. Ferguson é professor de Teologia Sistemática
no Reformed Theological Seminary, prega regularmente
na St. Peter’s Free Church, em Dundee, e já escreveu
mais de cinquenta livros, desde títulos académicos até
aos infantis. Na sua Escócia Natal, pastoreou uma pequena
congregação de Unst, a ilha habitada mais setentrional
do Reino Unido, e uma outra no centro de Glasgow.
Serviu ainda como pastor-senior na First Presbiterian
em Columbia, na Carolina do Sul.

O título No Ano do Nosso Senhor (In the Year of Our Lord) foi escolhido com propósito, e não se tratando, segundo o autor, de história da Igreja, conta algumas das mais significativas histórias destes dois milénios de Cristianismo.
A pertinência de um livro como este, tem que ver com uma tendência notória a nível global para diminuir a influência que Jesus Cristo tem na História da Humanidade. Isto acontece até mesmo nas antigas universidades, onde as antes conhecidas como faculdades de teologia ou divindade, são agora departamentos de religião ou estudos religiosos. Em muitos casos, aquelas faculdades que eram de topo, foram integradas nas “artes” ou “estudos sociais”.
Na essência tornaram-se ramificações de um alargado conceito de antropologia (o -estudo do homem, o seu ambiente, filosofia, etc…). O foco não está mais em Deus, mas o homem e a sua experiência espiritual (religiosa), subordinando a fé cristã a uma mera experiência religiosa.
Tomando como ponto de partida excertos de textos correspondentes a cada época, Ferguson conta, explicando, factos e eventos marcantes da história da Igreja Cristã. Ao longo dos vinte capítulos do livro, um por cada século, desde o início do movimento Cristão, o autor apresenta-nos figuras e acontecimentos que tiveram significativa relevância no desenvolvimento da Igreja de forma universal.
Um desses personagens é Orígenes de Alexandria, ou de Cesareia. Talvez o mais brilhante, mas também o mais aventureiro, pensador cristão do séc. III. Viveu segundo padrões rigorosíssimos de autodisciplina e negação, levando à letra Mateus 19:12, castrando-se.
O quarto século foi dos mais significativos do primeiro milénio da Igreja, atendendo às brutais perseguições movidas aos cristãos, ordenadas pelo Imperador Diocleciano, que visavam a destruição das Escrituras, impedindo assim a progressão do Cristianismo.
Entretanto, no séc. XI, surgiria Anselmo de Cantuária, e o seu argumento ontológico a favor da existência de Deus, talvez o menos conhecido dos argumentos clássicos, mas o mais fascinante para os filósofos do que qualquer outro.
No século seguinte, com o surgimento das universidades e o nascimento da Inquisição, emergiu outra figura repleta de carisma no seio da cristandade – Bernardo de Clairvaux (já apresentado na Biblion nº6), que fundou o seu mosteiro em 1115, destacando-se pelo fenomenal conhecimento das Escrituras, a influência sobre o meio eclesiástico e o entusiasmo com que defendia as Cruzadas.

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Antecipando a chegada da Reforma Protestante, Sinclair Ferguson aborda o peso que vários personagens tiveram na antecâmara dos acontecimentos protagonizados por Martinho Lutero, de John Wycliffe, um dos mais poderosos precursores da Reforma, a Jan Hus, que viu os seus livros serem queimados na Catedral de Constança, tendo ele próprio morrido recitando Salmos, ou Girolamo Savonarola, que acabou excomungado e executado, depois de ter cativado o povo de Florença com a eloquência da sua pregação.
Nesta edição de leitura mais que recomendável, ainda há lugar para individualidades como William Wilberforce, Charles Spurgeon ou Dietrich Bonhoeffer, entre muitos outros. A finalizar, Ferguson desafia-nos, refletindo sobre os vinte séculos de fé cristã, a eleger o livro do século XX. A escolha do autor recai sobre Conhecendo Deus, de J. I. Packer, aliás, absolutamente merecido.
Concluindo, na verdade Jesus, passados dois mil anos, continua a construir a Sua igreja, com o Seu povo, até ao fim dos tempos, e para sempre. É esta a história (inacabada) de No Ano do Nosso Senhor.