AS ADVERTÊNCIAS DO NOVO TESTAMENTO – Anastasios Kioulachoglou

AS ADVERTÊNCIAS DO NOVO TESTAMENTO – Anastasios Kioulachoglou

“Pode o cristão abandonar a fé?” É uma das questões mais importantes
na soteriologia (“estudo da salvação”) cristã, que divide
estudiosos e teólogos desde o tempo de Agostinho de Hipona. A sua
mera discussão originou uma das disputas mais cismáticas da Igreja
Protestante – o debate calvinista-arminiano – cujos efeitos persistem
entre os intelectuais cristãos até hoje. Como se quisesse acabar com
o debate de uma vez por todas, Anastasios Kioulachoglou defende a
ideia de que os cristãos podem de facto abandonar a fé, apresentando
um vasto número de passagens do Novo Testamento que visam apoiar
a sua posição nesta obra.

Embora o seu título pareça algo vago, o livro faz-lhe toda a justiça: As Advertências do Novo Testamento é uma obra dura que não aceita desculpas. Do princípio ao fim, o livro é uma derradeira investida de passagens do Novo Testamento apelando ao ponto do autor, de que “uma vez salvo” não significa “para sempre salvo.” A escrita sincera e sucinta de Kioulachoglou é bastante evidente nesta obra, com o autor perdendo pouco tempo com postulações e teorias teológicas, preferindo apoiar-se diretamente no cânone bíblico. Ele expõe as condições para a salvação como foram estabelecidas na Nova Aliança no primeiro capítulo: “A salvação é dada livremente, por meio da graça, como um presente para todo aquele que crê em Jesus Cristo como seu Senhor, O Messias, O Filho de Deus.” A partir daí, Kioulachoglou cita um número impressionante de passagens que apoiam a sua premissa de segurança condicional, assim como excertos de comentários da Bíblia (em particular o de Albert Barnes). O autor tem também o cuidado de mostrar o significado e contexto originais de certos termos relevantes que estão presentes em algumas destas passagens; após oferecer todos os indícios bíblicos que apoiam a possibilidade de abandonar a fé, Kioulachoglou conclui o seu livro ao abordar as objeções mais comuns que ele encontrou ao ensinar esta perspetiva da salvação.
A análise de Kioulachoglou sobre apostasia e recaída em As Advertências do Novo Testamento condensa provas com persuasão. Em vez de se emaranhar com a história e as opiniões polarizadas sobre estes dois temas, o livro dedica-se de forma inabalável a dizer as coisas “como elas são”, a mostrar como Jesus e os Apóstolos viam o abandonar a fé e as suas graves consequências. Esta obra está disponível gratuitamente em formato PDF no site do Journal of Biblical Accuracy, enquanto que as versões eBook e impressa podem ser adquiridas na Amazon.

DANIEL GOMES

APOSTASIA EM TOUGH TOPICS
A perda da salvação e apostasia estão
incluídas nos Tough Topics de Sam
Storms, que toma a posição calvinista
de segurança eterna. Storms baseiase
fortemente no conceito de eleição
incondicional dos santos predestinados
de acordo com Romanos 8, assim
como nas palavras de Jesus em João
6, para provar que é impossível “perder”
a salvação. O teólogo também usa
João 10, Filipenses 1:6 e Judas 24-25
para sustentar o seu argumento – passagens
abordadas por Kioulachoglou
como algumas das objeções mais comuns
com que se deparou. Por sua
vez, Storms afirma que Hebreus 6 e 10
– duas passagens que Kioulachoglou
apresenta como “advertências” – não
defendem a possibilidade de apostasia,
dedicando uma secção do seu livro
a este argumento: “ao passo que todos
os cristãos são inspirados, nem todos
os que são inspirados são cristãos” (tradução
livre). Kioulachoglou responde
ao apresentar o comentário de Albert
Barnes sobre Hebreus 6, que defende
a posição do autor grego.
Como foi esclarecido na introdução
deste review, o tema da apostasia é
divisivo. A possibilidade da sua execução
e as suas consequências têm sido
discutidas ao longo de várias décadas,
sem um fim definitivo à vista. Dito isto,
este não é um tema para ser ignorado;
é certo que um estudo das obras dos
dois autores será interpretado de maneiras
diferentes por pessoas diferentes
– e isso não tem mal desde que os
crentes não ponham de lado o amor
fraterno que é suposto partilharem
uns com os outros.